terça-feira, 18 de setembro de 2012

As Menores Abelhas do Mundo 1,5mm - Lambe-olhos ( Leurotrigona Muelleri )


As Menores Abelhas do Mundo  1,5mm


A abelha Lambe-olhos ( Leurotrigona Muelleri )




Considerada a menor abelha do mundo com aprox. 1,5 milímetros, está espécie é encontrada em muitas regiões do Brasil,  é nativa, e corre risco de extinção. 

No  Ceará  esta  espécie é encontrada em alguns municipios, principalmente naqueles onde  há  maiores  porções  de  mata  nativa  de  caatinga. É  uma  abelha  resistente  as  intemperies  de  calor,  sol  e  chuva.  Em varios  estados  elas  são  encontradas  dentro  das  cidades  em  tubulações elétricas, é  encontrada também em muros de tijolo baiano, que é um espaço perfeito p/ seu enxame, e como o espaço é muito pequeno no meio do tijolo ela acaba soltando enxame muito rapidamente.
Há  criadores  no  sul  com vários enxames desta espécie, onde a maioria foi capturado naturalmente, e as danadas acabam entrando em caixas e apetrechos muito grandes para seu pequeno ninho! Como jarra térmica velha no quintal, umas caixas iscas de jataí, e na  criação  de   um  enxame habitou uma caixa de Tubuna, que acabou perecendo, pois  está caixa é praticamente 50 vezes maior p/ seu pequeno ninho.  Muitas pessoas não sabem da tamanha delicadeza de seu enxame e acabam tentando retira-las de paredes e blocos, e quase sempre o enxame acaba morrendo por ser muito judiado. Seu enxame é na maioria das vezes mediano e pequeno, demorando muito tempo para virar um enxame grande, pois penso eu que por elas serem muito pequeninas a produção de mel e estoque de pólen é muito devegar.   possui enxames com mais de 10 anos em caixas, e estes enxames são de grande população de abelinhas, chegando a fazer bastante crias e grande acumulo de minúsculos potinhos de mel.  Há varias fotos no  Blog meliponário Abelha de Ouro  mostrando a proporção de tamanho entre as lambe olhos (Leurotrigona Muelleri)  Mandaçaia e Uruçu Verdadeira, coletam alimento até na palma da mão!
No  Ceará   poucos  criadores  possuem  esta  especie  em  caixas,  pela  dificuldade  que  há  em  localiza-las  e  muitas  vezes  pelo  risco  de  morte  do enxame na transferencia para  a  caixa.  O Meliponário Quixeramobim  possui  dois  enxames  um numa  tora  de  Catingueira (  caesalpinia pyramidalis    )  e  outro  numa caixa feita com madeira de cumaru ( Amburana cearensis )    as  colmeias  tem  mais  de  5  anos.





quarta-feira, 10 de junho de 2009

Abelha Jandaira de Volta ao Sertão dos Inhamuns - Ceará

Sertão dos Inhamuns, Ceará - Inicia Coleta de Mel de Jandaira.

JORNAL POVO - A primeira colheita do mel de jandaíra do Assentamento Xavier, na reserva Serra das Almas, em Crateús. É como um trabalho de parto. Até o pote ficar cheio, zelo extremo com a higiene e a cria. Chegam a conversar com as abelhas. O consultor do projeto, Ezequiel Macêdo, tem dessas colméias nos jardins de Seridó (RN) e ensinou o passo-a-passo da extração aos novos apicultores. Na hora da prova, o sabor do mel é mais puro, refinado. 1) As abelhas são postas fora das colméias temporariamente. Os caixotes são levados para um ambiente isolado por um véu. Para evitar moscas, mosquitos invasores e as próprias abelhas. Os apicultores usam luvas, avental e touca. 2) Na colméia, o apicultor destrói os favos com uma faca limpa. Inclina a caixa e deixa o mel escorrer para uma jarra. É indispensável uma peneira bem fina. 3) Até todo o mel descer lentamente, a colméia continua aberta. Da primeira colheita, foram extraídos 800 mililitros. Na segunda caixa, mais 750 ml. Depois, passam a encher potes de 250 ml 4) O Mel de Jandaíra do Sertão está embalado e pronto para venda. Há 13 produtores na comunidade. Cada pote custa R$ 20,00, valor 20 vezes maior que o do mel da abelha comum.


Agricultor com caixas racionais de Abelha Jandaira - Melipona subnitida


Agricultor contemplando trabalho das Abelhas sem Ferrão




Caixas com Crias e Potes de Mel e Pólen de Jandaira Potes de Pólen (Saburá)

Abelhas sem ferrão, a importância da preservação
(29/12/2005)



Fábia de Mello Pereira*

A criação racional das abelhas da tribo meliponini e da tribo trigonini é denominada de meliponicultura. Conhecidas popularmente como abelhas sem ferrão ou abelhas nativas ou indígenas, essas abelhas possuem ferrão atrofiado, não conseguindo utilizá-lo como forma de defesa. Algumas espécies são pouco agressivas, adaptam-se bem a colméias racionais e ao manejo e produzem um mel saboroso e apreciado. Além do mel, essas abelhas podem fornecer, para exploração comercial, pólen, cerume, geoprópolis e os próprios enxames. Outras formas de exploração são: educação ambiental, turismo ecológico e paisagismo.A polinização é outro produto importante fornecido pelos meliponideos. Uma vez que não possuem o ferrão, as abelhas nativas podem ser usadas com segurança na polinização de espécies vegetais cultivadas no ambiente fechado da casa de vegetação. Além disso, algumas culturas, como o pimentão, necessitam que, durante a coleta de alimento, a abelha exerça movimentos vibratórios em cima da flor para liberação do pólen. Esse comportamento vibratório é típico de algumas espécies de abelhas nativas, mas não é observado na abelha africanizada (Apis mellifera), que não consegue ser um agente polinizador eficiente dessas culturas.No Brasil são conhecidas mais de 400 espécies de abelhas sem ferrão que apresentam grande heterogeneidade na cor, tamanho, forma, hábitos de nidificação e população dos ninhos. Algumas se adaptam ao manejo, outras não. Embora vantajosa, a criação racional dessas abelhas é dificultada pela escassez de informações biológicas e zootécnicas, pois muitas sequer foram identificadas ao nível de espécie.Devido a essa diversidade, é fundamental realizar pesquisas sobre comportamento e reprodução específicas para cada espécie; adaptar técnicas de manejo e equipamentos; analisar e caracterizar os produtos fornecidos e estudar formas de conservação do mel que, por conter mais umidade do que o mel de Apis mellifera, pode fermentar com mais facilidade. A alta cotação do preço do mel das abelhas nativas no mercado, que em média varia de R$ 15,00 a 50,00 cada litro, aliada ao baixo investimento inicial e a facilidade em manter essas abelhas próximo das residências, tem estimulado novos criadores a iniciarem nessa atividade.Entretanto, muitos produtores em busca de enxames para povoarem os meliponários, acabam atuando como verdadeiros predadores, derrubando árvores para retirada das colônias, que, muitas vezes, acabam morrendo devido a falta de cuidado durante o translado e ao manejo inadequado.Outra causa da morte das colônias é a criação de espécies não adaptadas à sua região natural. É relativamente comum que produtores iniciantes ou experientes das regiões Sul e Sudeste do Brasil queiram criar abelhas nativas adaptadas às regiões Norte e Nordeste, e vice-versa. A falta de adaptação dessas abelhas às condições ambientais da região em que são colocadas acabam por matar as colônias, podendo contribuir para a extinção das mesmas.A quantidade de colônias nos meliponários também é um fator crucial para preservação das espécies. Várias pesquisas indicam que, quando a espécie criada não ocorre naturalmente na região do meliponário, são necessários pelo menos 40 colônias para garantir uma quantidade de alelos sexuais e evitar que os acasalamentos consangüíneos provoquem a morte das mesmas em 15 gerações. Embora somente três espécies de abelhas estejam na lista de animais em risco de extinção do Ibama (Exomalopsis (Phanomalopsis) atlantica; Melipona capixaba e Xylocopa (Diaxylocopa) truxali), e dessas somente a Melipona capixaba é social, sabe-se que nas reservas florestais a quantidade de ninhos de abelhas sem ferrão vem se reduzindo ano a ano.A extinção dessas espécies causará um problema ecológico de enormes proporções, uma vez que as mesmas são responsáveis, dependendo do bioma, pela polinização de 80 a 90% das plantas nativas no Brasil. Assim, o desaparecimento das abelhas causaria a extinção de boa parte da flora brasileira e de toda a fauna que dependa dessas espécies vegetais para alimentação ou nidificação. Conscientes do problema, o governo brasileiro, por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) publicou no Diário Oficial da União em 17 de agosto de 2004 a RESOLUÇÃO Nº 346 DE 06 DE JULHO DE 2004, que disciplina a utilização de abelhas silvestres nativas, bem como a implementação do meliponário.Contudo, sabe-se que somente a criação de uma legislação normativa não é suficiente para preservação de espécies da fauna e flora nativa. É necessário, também, um programa informativo visando a capacitação e sensibilização para que os produtores não só sejam conscientizados, mas também sejam capazes de mobilizar e informar aos seus vizinhos sobre o problema. Resta, assim, fazer um apelo não só aos governos nos níveis federais, estaduais e municipais, mas também à sociedade como um todo para que se comece a divulgar os problemas acarretados pela retirada indiscriminada dessas abelhas da mata. A criação dos meliponídeos deve ser realizada com responsabilidade para evitar a extinção das abelhas e, a médio e longo prazo, a extinção da flora e fauna que dependem direta ou indiretamente desse importante agente polinizador.
*Pesquisadora da Embrapa Meio-Norte, Teresina-PI, fabia@cpamn.embrapa.br.

domingo, 8 de março de 2009


Abelha Jandaira - Melípona subnitida - caixa racional


Abelha Jandaira - Melípona subnitida - Envólucro do ninho, Disco e Rainha.


Abelha Jandaira - Melípona subnitida - Disco de Cria.


Abelha Jandaira - Melípona subnitida - Potes de Mel e Pólen

sábado, 22 de novembro de 2008

Abelhas

GUARAIPO SCHENKI
NINHO

CAIXA


POTES DE MEL




sábado, 10 de maio de 2008

Abelha Moça Branca - Frieseomelitta doederleini

































Abelha Moça Branca - Frieseomelitta doederleini


Esta abelha da tribo das trigonas é uma das abelhas mais cobiçadas
pelos meleiros nos sertões da Caatinga Nordestina.

















Abelha Jandaíra (Melipona subnitida)











A jandaíra (Melipona subnitida Ducke) é um meliponíneo típico do sertão. O seu mel é apreciado pelas populações nativas. Entretanto, a literatura sobre a biologia dessa abelha é reduzida. O trabalho pioneiro é o do Monsenhor Huberto Bruening, publicado em 1990, no livro "A Abelha Jandaíra"








A criação de jandaíra é considerada uma atividade para desenvolvimento sustentado porque inclui restauração ambiental através da preservação e plantio de árvores que servem de locais de nidificação, além da atuação das abelhas na polinização da flora nativa. Os principais produtos de interesse comercial são o mel e a preparação de enxames.








A Jandaíra (Melipona subnitida) ocorre naturalmente em áreas do sertão brasileiro. O limite geográfico de ocorrência desta espécie se dá a cerca de 11°S (centro-norte do Estado da Bahia) e a cerca de 40°W (Chapada do Araripe). Algumas localidades mais conhecidas da ocorrência desta espécie são: Fortaleza, Cascavel, Maranguape e Baturité no Estado do Ceará, Mossoró, Areia Branca, Caicó, Currais Novos, Jardim do Seridó e Parelhas no Rio Grande do Norte; Araripina e áreas da Chapada do Araripe em Pernambuco (divisa com Ceará); Rodelas, Paulo Afonso, Glória, Miguel-Calmon e várias localidades do Raso da Catarina na Bahia.








Arquitetura do ninho
O que caracteriza os ninhos das abelhas sem ferrão é a construção das células de cria (figura 1a) utilizadas somente uma vez pelas operárias; o alimento larval líquido é oferecido todo de uma vez antes da rainha ali colocar seu ovo; o ovo é colocado pela rainha em posição vertical em relação ao alimento larval (figura 2). O tempo de desenvolvimento do ovo até adulto é cerca da 40 dias. Após o nascimento, a célula é destruída pelas operárias. Na jandaíra, as células de cria apresentam, predominantemente, disposição horizontal (figura 3). Os favos de cria são geralmente envoltos por camadas de cerume que auxiliam na termorregulação do ninho. A entrada do ninho, ao redor de raias de barro, é construída de tal modo que permite a passagem de apenas uma abelha de cada vez.
O mel e o pólen são guardados em potes especiais ovóides cujo tamanho varia com o estado da colonia (colônias fortes tem potes maiores) (figura 1b). Os potes de alimento ficam concentrados em áreas específicas dos ninhos. As figuras 4 e 5 mostram potes de mel com paredes finas e grossas, construídos na época das chuvas e de seca respectivamente. Investir na fabricação do cerume é uma forma de economizar energia quando há alimento.








Nas abelhas Melipona, machos, rainhas e operárias são criados em células iguais. São aproximadamente do mesmo tamanho, mas as proporções corporais diferem muito.
Os machos passam aproximadamente 15 dias dentro da colméia. Após esse período saem do ninho e podem formar aglomerados junto aos ninhos onde há rainha para ser fecundada ou nas proximidades do meliponário.
Os machos não trabalham para a colônia. Desidratam o néctar antes de abandonar a colonia-mãe e também quando participam dos aglomerados.
As operárias são responsáveis por todas as atividades da colônia: constroem células de cria, aprovisionam as células, são guardas da colônia, coletam alimento que armazenam nos potes por elas construídos. A mesma operária realiza diferentes trabalhos durante a sua vida, que em média é de 60 dias.
As rainhas virgens nascem em grande número nessa espécie. Geralmente são mortas pelas operárias logo depois de saírem das células. Às vezes desenvolvem seu poder de atração dentro da colônia. Distendem seu abdome e são cercadas pelas operárias, com as quais interagem, como mostram as figuras 7 e 8.
Após essa etapa a rainha está pronta para se acasalar. Pode sair da colônia e ter o vôo nupcial, onde será fecundada. As rainhas fecundadas desenvolvem seu abdome (ficam fisogástricas) e não podem mais voar.








Hábitos de nidificação
"Podemos afirmar que nunca se praticou meliponicultura no Nordeste, pelo menos a racional ou metódica. Sempre houve mais Jandaíras que Nordestinos, mais casas de abelhas indígenas que casas de aborígenes. Hoje a situação é exatamente oposta. E pior ainda: o meleiro está destruindo as derradeiras casas - imburanas e catingueiras - que ainda restam pelo sertão. Nada escapa a sanha de carvoerios, caçadores de mel, caçadores de 'madeira', etc.. Até o raríssimo cumaru é cortado e serrado em fatias - sem cerne ainda - para fabricar caixas de empacotar melão. E a imburana é desfiada para cepilho... Nossas abelhas estão fadadas à extinção mais cedo que se pensa. Sem casa para morar, quem é que trabalha? Se ao menos cuidassem os homens de repor, de replantar e reflorestar... Ou ainda: se parassem de destruir... A terra mesma se reveste, recupera e recobre."Monsenhor Huberto Bruening, "A Abelha Jandaíra", 1990: 9 A Jandaíra faz seus ninhos em ocos de árvores, destacando-se aqui sua preferência pela imburana (Commiphora leptophloeos - Burseracea) e pela catingueira (Caesalpinia microphylla - Leguminosae). As imburanas podem ser replantadas usando-se pedaços de troncos ou galhos.








Abelhas Sem Ferrão - ASF


Scaptotrigona sp - Abelha canudo


Abelha Rajada












A CRIAÇÃO DE ABELHAS INDÍGENAS SEM FERRÃO

Entre as abelhas sociais brasileiras, as pertencentes à subfamília Meliponinae, chamadas popularmente de abelhas indígenas sem ferrão, são as mais conhecidas. Existem mais de 200 espécies diferentes, algumas das quais freqüentemente criadas para a produção de mel. Os ninhos dessas abelhas são encontrados, de acordo com a espécie, em locais bastante diversos, havendo aquelas que constroem ninhos subterrâneos, dentro de cavidades preexistentes, formigueiros abandonados, entre raízes de árvores etc, como a guira ou mulatinha-do-chão (Schwarziana quadripunctata) ou a mombuca (Geotrigona mombuca) ou, ainda, a mandaçaia-do-chão (Melipona quinquefasciata). Outras constroem ninhos aéreos, presos a galhos ou paredes como a arapuá (Trigona spinipes) ou a sanharão (Trigona truculenta). A maioria das espécies, entretanto, constrói seus ninhos dentro de cavidades existentes nos troncos ou galhos das árvores como a jataí (Tetragonisca angustula), a mandaçaia (Melipona quadrifasciata), a manduri (Melipona marginata), a mandaguari (Scaptotrigona postica), a timirim (Scaptotrigona xanthotricha) e muitas outras espécies. Muitas dessas espécies, que utilizam cavidades em madeira, são muitas vezes encontradas em cavidades existentes em muros e paredes de alvenaria, como acontece comumente com a jataí, a iraí (Nannotrigona testaceicornis) e a mirim (Plebeia droryana). Algumas espécies fazem ninhos ainda dentro de cupinzeiros como acontece com a cupira (Partamona sp.) ou com Scaura latitarsis, e outras constroem dentro de formigueiros ativos. O interessado em abelhas indígenas precisa atentar para o fato de que muitas vezes o nome popular varia de uma região para outra, de tal forma que muitas vezes uma única espécie recebe, em regiões diversas, denominações diferentes e, muitas vezes, o mesmo pode ser usado para designar várias espécies de abelhas. Como as abelhas são polinizadoras de plantas, cultivadas ou não, é importante que se atente para o fato de que, mais importante que o mel produzido por elas, é a polinização que promovem e que permite a produção de sementes por diversas plantas, muitas das quais extremamente úteis para o homem. Sem esse auxílio, muitas espécies de plantas deixam de produzir frutos e sementes, podendo inclusive serem extintas. Dada a grande importância das abelhas indígenas é preciso que se preservem estas espécies, pois, muitas delas estão sendo dizimadas, seja pelo desmatamento e queimadas, seja pelo uso indiscriminado de agrotóxicos. Como muitas dessas espécies produzem mel saboroso e muito procurado, os próprios meleiros, que retiram o mel destruindo a colméia, contribuem para a extinção dessas abelhas em algumas regiões. A criação dessas abelhas e a sua exploração racional podem contribuir para a preservação das espécies e dar ao meliponicultor oportunidade de obter mel. Esta atividade vem sendo desenvolvida há bastante tempo em diversas regiões do país, especialmente no Norte e Nordeste, havendo meliponicultores que possuem grande número de colméias de uma única espécie, como é o caso da tiúba (Melipona compressipes) no Maranhão ou a jandaíra (Melipona subnitida) no Ceará e Rio Grande do Norte. Existem, ainda, muitos meliponicultores que criam abelhas indígenas como passatempo, explorando o mel apenas esporadicamente. Colônias de abelhas indígenas podem ser obtidas pela atração de enxames, pela divisão de colônias já estabelecidas e pela captura de colônias existentes na natureza.

Atração de Enxames
Para se atrair enxames, utilizam-se caixas de madeira. No seu interior coloca-se um pouco de cerume e resina, retirados de colônias de abelhas indígenas. Usam-se, também, caixas nas quais estiveram instalados colônias dessas abelhas, que foram transferidas e que ainda contêm restos da colônia original. Estas caixas devem estar bem fechadas e possuir uma abertura por onde as abelhas possam penetrar. Devem ser colocadas em locais protegidos, onde existam colônias naturais, que possam enxamear. Devem ser periodicamente inspecionadas, retirando colônias de formigas e outros animais que possam aí haver se instalado. Quando uma colônia de abelha indígena enxameia, ela contém um vínculo relativamente duradouro com a colméia mãe, da qual as operárias levam, aos poucos, alimento e cerume para a nova colônia. Por esta razão, um enxame recém -estabelecido, com boa quantidade de favos e alimento estocado, pode então ser transportada para o meliponário

Divisão de Colônias
Para a divisão, retiram-se favos com cria velha (pupas e abelhas prestes a emergir), devendo-se usar, para isso, colônias fortes, com bastante cria. Se a colônia for de uma Melipona (mandaçaia, manduri, uruçu, jandaíra, tujuba, tiúba, etc), espécies que se caracterizam por serem relativamente grandes e construírem a entrada do ninho com barro, formando uma estrutura raiada, não há necessidade de se preocupar com célula real, pois estas abelhas não as constroem, estando a cria, que dará origem às rainhas, distribuídas pelo favo, em células iguais àquelas de onde nascem as operárias e machos. Se a colônia for de uma espécie da tribo Trigonini (Jataí, iraí, mandaguari, tubiba, timirim, mirim, mirim preguiça, moça-branca, etc), é necessário que , nos favos, exista uma ou mais células reais, de preferência prestes a emergir. Esta célula real é facilmente reconhecida por ser maior que as células das quais emergirão operárias e machos. Além dos favos, retiram-se, também, cerume e potes de alimento com mel e pólen da colméias que estão sendo divididas, cuidando-se para não danifica-los. Com esses elementos monta-se a nova colméia, tomando-se todos os cuidados na transferência para outra caixa. A nova colméia deve receber abelhas jovens, reconhecidas pela sua cor clara e por não voarem. Após a montagem da nova colônia, esta deve ser colocada no local onde se encontrava a antiga que deve ser transportada para outro lugar. Este cuidado visa suprir a nova colônia com abelhas campeiras. A nova colônia deve estar bem protegida contra o ataque de formigas, pois nesta fase o enxame ainda está desorganizado. Na formação de uma nova colônia podem ser utilizados elementos de mais de uma colônia da mesma espécie, tomando-se o cuidado para não misturar abelhas adultas de mais de uma colméia, pois isto acarretaria luta e, consequentemente, a morte de muitas delas. A divisão de colônias deve ser realizada em época na qual as abelhas estejam trabalhando intensamente, e deve ser realizada pela manhã, em dia quente e só deve envolver colônias fortes nas quais existam bastante alimento e favos de cria.

Captura de Colônias e sua Transferência para Caixas
Para capturar colônias na natureza, o criador pode levar, para seu meliponário, galhos ou troncos onde existam colônias, devendo, para isso, corta-los com cuidado para não atingir o ninho e fechar as extremidades do oco, caso fiquem expostas. Antes de cortar é importante fechar a entrada da colméia com tela ou algodão para impedir que muitas abelhas escapem. No caso de muitas abelhas estarem fora do ninho após sua captura, o tronco ou galho contendo o ninho deve ser deixado com a entrada aberta, o mais próximo possível de onde se encontrava originalmente, para que as abelhas retornem a ele. À noitinha, quando todas as abelhas estiverem recolhidas, a entrada deve ser fechada com tela e então a colônia pode ser transportada com cuidado para o meliponário, devendo o tronco ser colocado na mesma posição em que se encontrava. A tela da entrada deve, então, ser retirada. Durante o trasnporte, choques violentos devem ser evitados. Colônias que se encontram em outro tipo de cavidade, como paredes, muros, barrancos, etc, devem ser transferidos para caixas, caso se deseje capturá-las. Para se transferir uma colônia de abelha indígena para caixa é preciso ter acesso à cavidade onde o ninho se encontra alojado. Caso este se encontre dentro de galho ou tronco de árvore, estes devem ser abertos com auxílio de machado ou motoserra, tomando-se o cuidado para não atingir o ninho. Caso se encontre em cavidades dentro de muros ou paredes, a cavidade pode ser atingida desmontando-se parte da construção, o que nem sempre é fácil ou possível. Quando se trata de ninho subterrâneo, cava-se o solo até atingir a cavidade onde ele se encontra, tendo-se, antes, o cuidado de introduzir, pela entrada, um arame com um pedaço de algodão preso à ponta. Este arame serve de guia e se este cuidado não for seguido pode-se perder o canal de entrada e, desse modo, não se conseguir achar o ninho. Após atingir a cavidade onde se encontra o ninho, realiza-se a transferência de seus elementos para a caixa onde o ninho será abrigado. No caso de ninhos subterrâneos, muitas vezes é possível transferi-lo inteiro, sem que ele seja danificado. Neste caso, a caixa deve ter dimensões tais, que permitam o acondicionamento do ninho inteiro. Quando tiver que desmontar o ninho, para transferi-lo, certos cuidados devem ser tomados: no caso de o ninho haver sido submetido a golpes fortes, como acontece normalmente com os alojados em troncos ou galhos de árvores, só os favos que contenham larvas, que já ingeriram a maior parte do alimento e favos mais velhos reconhecidos por sua cor mais clara e por serem mais resistentes, devem ser aproveitados. Os favos mais novos, que contêm ovos e larvinhas novas, devem ser descartados. Todos os danificados ou amassados devem ser, também, eliminados. Os favos devem ser colocados na mesma posição em que se encontravam na colônia natural, e entre dois favos deve haver espaço suficiente para a circulação das abelhas. O mesmo deve acontecer entre o fundo da colméia e o primeiro favo colocado. Para se conseguir isto, coloca-se um pouco de lamelas de cerume entre os favos e entre estes e o fundo da colméia. O cerume deve ser retirado da colônia antiga e colocado na nova, tomando-se o cuidado para não amassar muito as lamelas. Estas devem ser colocadas em torno da cria para protegê-la. Só devem ser colocados na nova colônia potes de alimento intactos. Potes rachados, principalmente de pólen atraem forídeos (pequenas mosquinhas) que proliferam na colméia, utilizando como alimento, principalmente, pólen e alimento de cria. A proliferação de forídeos pode levar à destruição da colônia. O mel contido em potes danificados pode ser posteriormente devolvido à colônia em pequenas doses, colocadas em alimentadores dos mais diversos tipos. O pólen pode ser devolvido, após o restabelecimento da colônia, em potes de cera cuidadosamente fechados. É muito importante que a colônia receba pólen de sua espécie, pois aí existem bactérias envolvidas na sua fermentação. Sem esta fermentação específica, o pólen não pode ser usado como alimento pelas abelhas. Devem ser também transportados os depósitos de resina e cera da colônia original, bem como todas as abelhas adultas. As que não conseguem voar devem ser cuidadosamente coletadas e colocadas na nova colônia Cuidado especial deve ser tomado com a raínha que é reconhecida pelo seu abdômem grandemente dilatado. As abelhas, que conseguirem voar e escaparem no momento da captura, voltam ao local onde a colméia estava instalada. É aí que se deve colocar a nova caixa para que elas entrem. É importante que a entrada da nova caixa fique aproximadamente na mesma posição em que estava a entrada da colônia antiga. Um pouco de resina e cerume da colônia original, colocados em torno da abertura da nova colônia, ajuda as abelhas a encontrarem a entrada. Caso o ninho, antes de sua bertura, tenha sido transportado para longe do local onde estava instalado, as abelhas que voarem tenderão a voltar ao local de abertura do ninho e a nova colônia aí deve ser deixada até que a maioria das abelhas haja retornado e penetrado na colônia. Em todos os casos, os restos da colônia antiga, especialmente as partes que contêm resina e cerume, devem ser levados para longe, pois funcionam como atrativo para as abelhas que voaram, dificultando a chegada destas à nova colméia. Após a montagem da colônia, a caixa deve ser fechada de modo a não deixar frestas por onde possam penetrar parasitas ou abelhas saqueadoras. Para a proteção contra formigas, o suporte da nova colônia pode ser untado com graxa de modo a impedir que elas a atinjam, pelo menos até seu restabelceimento. Não se deve realizar transferência quando as abelhas não estiverem trabalhando normalmente, especialmente em épocas frias, quando as novas colônias poderão ficar muito tempo desorganizadas à mercê de predadores e parasitas.

Colméias Racionais
As abelhas indígenas sem ferrão podem ser acondicionadas em caixas rústicas de tamanhos variados, com volume semelhante ao do ninho natural. Este tipo de acondicionamento tem sido muito utilizado em diversas regiões. Muito comum também é o alojamento de colônias de abelhas indígenas dentro de cabaças, sendo comum encontrar abelhas, assim, acondicionadas em casas da zona rural. As abelhas que constroem ninhos subterrâneos normalmente só sobrevivem quando acondicionadas em abrigos subterrâneos. Estes abrigos podem ser construídos com tijolos ou mesmo vasos de barro, opostos pela boca. Quando estes abrigos estão enterrados completamente, é importante deixar um tubo conectando o abrigo com o exterior para funcionar como tubo de saída das abelhas. O tamanho do abrigo deve ser semelhante ao da cavidade, onde o ninho estava alojado. O professor Paulo Nogueira Neto, sem dúvida o maior especialista em criação de abelhas indígenas, idealizou uma colméia racional para estas abelhas, que facilita o manuseio e extração do mel e a divisão das colméias. Seu livro sobre este assunto é leitura indispensável àqueles que desejam criar abelhas indígenas sem ferrão. Para se transferirem colônias para este modelo de caixa, deve-se tomar cuidado especial com os potes de alimento, pois a altura dos espaços destinados a eles é limitada. Só devem ser transferidos diretamente os potes, se tiver certeza de que não se vai danifica-los. O resto do alimento deve ser transferido, posteriormente, como já descrito.

Extração de Mel
Quando a colméia utilizada para criação das abelhas for de um modelo que as obrigue a colocar a maioria dos potes de alimento em posição que permita que eles sejam removidos sem danificar a estrutura do ninho, eles devem ser removidos, juntamente com a gaveta (em colméias semelhante ao modelo PNN) ou isoladamente (em colméias de outros modelos), abertos e colocados para escorrer sobre peneira. Quando a colméia não pemitir a separação dos potes do resto do ninho, como acontece em colônias acondicionadas em cabaças ou caixas rústicas, o mel pode ser retirado com o auxílio de uma seringa plástica de 20 cm3, sem agulha. Nesse caso, os potes são abertos e o mel sugado com auxílio da seringa que deve ser nova, estéril e usada unicamente para essa finalidade. Uma parte do mel existente na colméia deve ser sempre deixada para o consumo das abelhas. Algumas abelhas têm o hábito de coletarem fezes, suor ou outras substâncias que podem estar contaminadas e, desse modo, serem prejudiciais à saúde. Nesses casos, deve-se evitar o consumo do mel, pelo menos quando as colméias estiverem em local onde as abelhas tenham acesso a estas substâncias.

Cuidados Gerais Em épocas de escassez de flores, pode ocorrer falta de alimento nas colméias, especialmente em áreas superpovoadas. É importante que o meliponicultor verifique, periodicamente, o estado de suas colméias e, em caso de fome, alimente-as com mel de Apis mellifera dissolvido com 20% de água limpa (8 partes de mel para duas partes de água) ou xarope obtido pela mistura de uma parte de açúcar, ou rapadura e uma parte de agua. A mistura é fervida, e depois de fria, pode ser utilizada para alimentar a colméia. O alimento deve ser colocado em um alimentador, que pode ser um pedaço de mangueira transparente fechado com algodão. Coloca-se o mel ou xarope dentro e fecha-se a outra extremidade também com algodão, fazendo com que este se embeba no xarope. O alimentador é então posto dentro da colméia, tomando-se o cuidado para que não vaze. Dadas as características biológicas das abelhas, elas são bastante sensíveis à endogamia (cruzamento entre parentes)e, por esta razão, o meliponicultor precisa ter em seu meliponário, no mínimo, 40 colméias de cada espécie que esteja criando. Isto não é necessário caso o meliponário esteja instalado em ambiente, onde este número de colméias possa existir na natureza (próximo de mata ou outro ambiente rico em colônias das espécies em questão). As abelhas, em geral, são, como já foi dito, insetos muito importantes para a polinização e devem ser preservadas. Uma das formas de se fazer isso é preservar colônias naturais. O meliponicultor deve preocupar-se em coletar apenas as colméias que estejam correndo risco, procurando, sempre que possível, não derrubar árvores com único intuito de coletar colméias dessas abelhas. As abelhas mais comuns na área onde está instalado o meliponário devem ser as preferidas pelo meliponicultor, desde que atendam aos seus objetivos. Na tentativa de obter colméias de abelhas raras na região onde se encontra, o meliponicultor pode inadvertidademente estar contribuindo para a extinção destas abelhas, pois muitas delas não se adaptam às condições de criação. Preservando a natureza, estaremos ajudando a preservar também as abelhas.